Ninguém pode negar que o mundo mudou em apenas algumas semanas. A contagem de corpos continua a aumentar, lembrando como nós seres humanos somos vulneráveis ​​à natureza. Além disso, ruas e cidades geralmente freneticamente movimentadas estão desertas, shopping centers, restaurantes e bares estão fechados. Grande parte da população mundial está sob virtual “prisão domiciliar”. Distanciamento social e bloqueio são as frases do momento.

Como podemos cuidar de nossa saúde mental em um mundo onde o isolamento (por necessidade) se tornou mais prevalente do que nunca e, de fato, a nova “norma”? Como será o mundo depois que essa ameaça passar? Quantas dessas “normas” novas e supostamente temporárias continuarão por muito tempo no futuro?

Uma das minhas maiores preocupações como psicoterapeuta refere-se ao assunto da privação de toque e seu futuro efeito na sociedade.

Algumas pessoas lembrarão com grande tristeza das imagens horripilantes dos orfanatos romenos na década de 1980 (na época em que os regimes comunistas na Europa Oriental se desintegraram). Notícias mostram centenas de bebês e crianças, em filas intermináveis ​​de berços, que morreram ou enlouqueceram, porque nunca haviam sido apanhados ou tocados. O que isso lembrou ao mundo é que o toque humano é uma necessidade básica, tanto quanto comida e água. Sem ela os seres humanos simplesmente não conseguem prosperar.

Na América do Sul, França, Itália e Espanha, abraços calorosos, carinho e toque são parte integrante da vida cotidiana. Contudo o Reino Unido, juntamente com os EUA e a maior parte da Europa Oriental estão entre as nações mais carentes de toque do mundo. O distanciamento social sem dúvida exacerbará a situação nesses países e a apresentará a outros.

Embora o clima atual de distanciamento e isolamento seja uma medida de emergência e temporária para retardar a disseminação desse vírus assassino, a história nos ensina que as medidas de emergência introduzidas durante as crises tendem a permanecer. O imposto de renda, por exemplo, foi introduzido em 1799 pelo então primeiro-ministro William Pitt, o Jovem, como uma medida temporária para financiar os custos das Guerras Napoleônicas. Ainda estamos sujeitos a isso cerca de 221 anos depois!



Então, como podemos atender a essas necessidades básicas em tempos tão difíceis?

Em primeiro lugar, considerando que a maioria de nós tem a sorte de viver com nossos entes queridos e famílias, não se esqueça de tocar e abraçar regularmente aqueles com quem está confinado (a menos que, é claro, eles apresentem sintomas; nesse caso, eles devem se auto-isolar de maneira separada), aproveite ao máximo essas circunstâncias para criar uma intimidade emocional e física com quem convive.

Em segundo lugar, se você tem animais, não se esqueça de acariciá-los o mais rápido possível. Acima de tudo (especialmente se você não tem família ou animais por perto), pelo menos mantenha seus “músculos” sensoriais e cinestésicos vivos. Faça isso diariamente, tocando (e sentindo) coisas com textura! Pedras ou cristais polidos, superfícies lisas de madeira, brinquedos macios, seda, peles, etc. Preste mais atenção à sensação do chuveiro em seu corpo e à sensação de suas roupas em sua pele. Fazer essas coisas simples o trará de volta ao seu corpo e manterá sua acuidade sensorial ativa.

Para combater os efeitos do isolamento (para você e outras pessoas), mantenha contato regular com pessoas que você conhece, especialmente aquelas com as quais você não conversa há um tempo. Faça o contato com eles pela webcam, telefone ou até um email. É mais importante do que nunca manter contato com as pessoas que você conhece durante esse período de distanciamento físico, pois assim esperamos evitar que o isolamento e a privação de toque se tornem uma “norma” para as gerações futuras.

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