À medida que os números de mortes aumentam com a disseminação global de um novo coronavírus, o aumento da ansiedade torna-se inevitável. Contudo, até certo ponto, o aumento da ansiedade é apropriado ao contexto, afinal nossa ansiedade aumenta quando somos confrontados com ameaças à saúde. O coronavírus constitui essa ameaça. 

Neste artigo, apresento etapas para ajudá-lo a lidar com o aumento da ansiedade decorrente do coronavírus:

Entenda suas chances

Muitas vezes experimentamos picos de ansiedade quando acreditamos que uma ameaça é iminente e inevitável. Considerando a extensa cobertura da mídia sobre o coronavírus, pode parecer que o risco geral de ser infectado é muito alto. 

Uma boa prática para diminuir sua ansiedade é entender quais são as chances de seu medo se tornar realidade. A baixa probabilidade de que um medo se torne realidade reduz a ansiedade

Por exemplo, vamos imaginar que você identifique um caroço no seu corpo e se preocupe com o fato de ser um câncer. Se você for ao médico e ele disser que a massa tem 1% de probabilidade de ser uma doença incurável, sua ansiedade diminuirá de intensidade se comparado com uma probabilidade de 90%.

Para a maioria das pessoas, o risco imediato de ser exposto ao coronavírus é baixo, pois não há circulação generalizada na maioria das cidades brasileiras. Aceitar esse fato diminui a ansiedade

Reconheça o que você pode controlar

A cobertura contínua sobre a disseminação do coronavírus pode nos fazer sentir impotentes. e que qualquer ação é inútil. Tal postura apenas exacerbará o nível de ansiedade de alguém em relação à ameaça em potencial.

Reserve um momento para reconhecer o que está dentro da sua esfera de controle. Existem medidas que você pode tomar para promover sua segurança e proteger seus entes queridos. Tomar essa ação não apenas reduz as chances de você ser infectado. Isso também pode fazer com que você se sinta capacitado e tenha uma sensação de controle sobre a ameaça em potencial. 

Para se proteger contra a infecção siga essas recomendações:

  • Lave as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos;
  • Evite tocar em superfícies em locais públicos como botões de elevador, maçanetas, corrimãos e apertar a mão das pessoas;
  • Lave as mãos após tocar superfícies em locais públicos;
  • Evite tocar seu rosto, nariz e olhos;
  • Limpe e desinfete sua casa;
  • Evite multidões, especialmente em espaços com pouca ventilação;
  • Evite todas as viagens não essenciais, incluindo viagens de avião e navios de cruzeiro.

Aumente “a dose” de suas habilidades de enfrentamento

O uso de habilidades de enfrentamento saudáveis ​​é fundamental para o gerenciamento da ansiedade. O uso de suas habilidades de enfrentamento se torna ainda mais crítico durante os períodos de maior estresse. Algumas das melhores habilidades de enfrentamento incluem:



  • Exercício físico;
  • Registro de pensamentos e sentimentos em um diário;
  • Exercícios de respiração profunda;
  • Meditação ;

Durante os períodos de maior estresse, você pode considerar aumentar a “dose” de suas habilidades de enfrentamento, usando-as com mais frequência. Por exemplo, se você costuma se exercitar três vezes por semana, pode considerar exercitar um dia extra para ajudá-lo a lidar melhor com a ansiedade. Se você normalmente pratica exercícios de respiração profunda pela manhã e à noite, considere adicionar uma terceira sessão durante o almoço.

Estamos acostumados a aumentar a dose de um medicamento para tratar uma doença de saúde física ou mental. Por que não olhar para as habilidades de enfrentamento na mesma perspectiva e ajustar “a dose” conforme necessário?

Limitar o consumo de mídia

Lembre-se de que a mídia precisa ganhar dinheiro. Seu objetivo é ganhar e melhorar classificações. Como resultado, eles podem nem sempre apresentar as notícias objetivamente, mas de uma maneira que provoque uma reação emocional. Como diz o ditado, “Sensacionalismo vende”.

Se você deseja se manter atualizado sobre as últimas notícias relacionadas ao coronavírus, não procure cegamente por atualizações na internet. Em vez disso, siga fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde a Organização Mundial da Saúde (OMS) . Você também pode entrar em contato com o seu médico ou psicólogo de confiança.

Reconhecer o custo da ansiedade

Nosso cérebro é realmente bom em se concentrar em potenciais ameaças. Do ponto de vista evolutivo, é isso que nosso cérebro deve fazer. Eles não foram projetados para nos fazer felizes. Eles foram projetados para nos proteger, procurando ameaças e criando cenários hipotéticos do tipo “e se”. 

Como resultado, geralmente deixamos de manter a perspectiva e enxergamos o cenário geral. No entanto, existe um custo se nos tornarmos prisioneiros da ansiedade decorrente do aumento do coronavírus. Viver com medo afetará negativamente a qualidade de nossas vidas. Temos que encontrar o equilíbrio entre tomar as devidas precauções para nos proteger e viver vidas satisfatórias.

Em resumo, tome as precauções adequadas para proteger você e seus entes queridos do coronavírus. No entanto, não fique prisioneiro da ansiedade decorrente da presente situação. Use suas habilidades de enfrentamento com sabedoria, limite a cobertura da mídia e viva sua vida ao máximo de sua capacidade. 

Por fim, se seus sintomas de ansiedade estão interferindo no seu funcionamento diário ou enfrentando dificuldades, com a presença de sintomas físicos, entre em contato com seu médico ou psicólogo para obter mais ajuda. Em caso de emergência vá ao departamento de saúde mais próximo.

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