Todos nós conhecemos pessoas, ouvimos histórias ou já experimentamos algum evento que ocasionou um intenso mau estar físico ou emocional. É natural que, após a ocorrência de tais eventos traumáticos, começamos a temer multidões ou estranhos, lugares escuros, evitamos tráfico, caminhões, ou desenvolvemos medo de estrada.

Como forma de enfrentar tudo isso nós evitamos andar sozinhos, colocamos fechaduras extras nas portas, ou até mesmo paramos de dirigir. O que motiva esses comportamentos é uma necessidade instintiva por segurança. Com essa segurança aparecem ideias do tipo: o que preciso fazer para evitar que isso aconteça de novo ?

A mesma coisa pode acontecer nos relacionamentos quando há uma morte, ou simplesmente um fim. O que pode inflamar a mesma necessidade de segurança e prevenção é o grau de mágoa, de ferimento e de tristeza associados ao fim do relacionamento (piorando quando o final é inesperado). Parece que o rompimento saiu de lugar nenhum.

Reações comuns após uma perda traumática:

Maior controle sobre os outros

Uma maneira de lidar com a dor do abandono é tentar aumentar o controle sobre aqueles que já estão conosco, ou que fazem parte de um novo relacionamento. Os pais, por exemplo, supervisionam mais seus filhos, limitam seu envolvimento fora de casa ou ficam em pânico quando não ouvem falar deles (mesmo depois de um curto período de tempo). Você fica mais ansioso e pegajoso, insistindo que seu novo namorado o acompanhe várias vezes ao dia, enchendo-o de perguntas sobre se ele está feliz. Ou, ao invés disso, você assume uma postura mais controladora no relacionamento, microgerenciando sua vida cotidiana ou fazendo perguntas sobre seus outros relacionamentos.

Você se distancia

Este é o outro extremo: em vez de se certificar de que os outros não vão muito longe, você é quem se distancia. Por não se conectar, você se salva da possível dor da perda mais uma vez. Aqui você pode desenvolver fobia de compromisso, ou decide não se engajar e se dedica a um mundo menos emocional como o trabalho, a escola ou hobbies.

Escolhe alguém totalmente diferente

Aqui você tenta partir para algo totalmente novo. Se o seu ex era um alcoólatra e impulsivo, agora você se move em direção a alguém mais rotineiro, menos emotivo, mais firme e inebriante. Você utiliza as experiências nada agradáveis como uma bandeira a ser observada. Isso faz sentido e totalmente compreensivo; pois faz parte de uma lição de relacionamento aprendida.

O que essas reações têm em comum é o potencial de gerar pensamentos dicotômicos, tudo com o objetivo de proteger e prevenir. Você está tentando mudar a dinâmica, mudar o desdobramento da nova história para evitar outra perda.



Como encontrar um meio termo?

Você precisa se lamentar

O sofrimento que é ignorado se torna mortal e voltará para você. Se você teve outras perdas que nunca se lamentou, tanto a tendência para fazer isso quanto o dano em potencial é ainda mais forte, porque as experiências de perdas tendem a estar conectadas. Se você tiver dificuldade em identificar os sentimentos subjacentes, fale com alguém como um Psicólogo por exemplo.

Você precisa processar

A conversa é a entrada para o processamento. Assim como os traumatizados em assaltos ou acidentes de carro precisam contar suas histórias para combater as imagens cruas que lhes restam, você também precisa contar sua história. Em parte isso é para tirá-la da sua cabeça.

As decisões e comportamentos dicotômicos vêm porque a história que você disse a si mesmo é muito “8 ou 80”, e simples. Você precisa desconstruí-la para ver suas nuances, a fim de criar uma explicação mais real, menos distorcida ou repleta de pensamentos mágicos.

Você precisa desacelerar

Aqui estamos falando de evitar o infame rebote, e também simplesmente dando tempo para se curar. O luto tem seu próprio processo e sua própria linha do tempo: três semanas em choque, três meses para sair do nevoeiro, um ano ou mais para parecer que você está voltando para si mesmo. Não se apresse

Dito isso, não se feche e não evite sair da sua zona de conforto. Se você se afastar muito e por muito tempo, sua ANSIEDADE e medo permanecerão, e com o tempo seu mundo ficará cada vez menor.

Você precisa de segurança, precisa de apoio e precisa de tempo para se curar enquanto continua a viver sua vida. O que você quer evitar é supercompensar e, no processo, perder mais de si mesmo.

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